Por Eliabe Bastos
Faz sentido usar IA no meu negócio? A resposta honesta tem dois lados: a IA não é tudo isso — e, ao mesmo tempo, é.
A IA não é tudo isso
"Em terra de cego, quem tem olho é rei."
Diante de tanta gente empolgada, quem tenta questionar o valor da IA parece ser aquele que está deixando passar a chance. O "correto", hoje, é confiar cegamente nas promessas mais absurdas feitas pelos CEOs de tecnologia e gastar cada vez mais — não o dinheiro deles, o seu.
Enquanto todos repetem que "a IA vai substituir todo mundo", o mercado espera, com medo, o dia em que ela finalmente vai cumprir essa ameaça. Nesse meio-tempo, ela ainda falha em tarefas básicas do nosso dia a dia. Todo mundo percebe, mas poucos têm coragem de dizer que o rei está nu.
O problema de disparar nessa corrida sem rumo é simples: o dinheiro e o risco são seus.
- E se a IA ficar muito mais cara no futuro? Seu negócio sobrevive sem os subsídios de hoje?
- Se sua empresa for processada por algo que a IA fez, a Anthropic (ou a OpenAI, ou o Google) vai responder por você?
Assumir essa responsabilidade faz qualquer um parar e temer. Mas temer é importante: é sinal de que você está diante de algo que realmente tem valor. Medo, aqui, não é fraqueza — é prudência.
Agora que desfiz algumas ilusões, deixa eu te contar o que a IA realmente faz.
A IA é tudo isso
A IA revolucionou o desenvolvimento de software, tornando a geração de código mais rápida. Com essas ferramentas, desenvolvedores conseguem ser mais produtivos e entregar valor para as empresas em menos tempo.
As ferramentas agênticas nos permitem operacionalizar atividades que antes eram trabalhosas e que não retornavam valor direto para a atividade principal do negócio — aquela burocracia que consome horas e não move o ponteiro.
E mais: a IA veio para ficar. Não teremos mais um mundo sem ela. Mesmo que as grandes empresas trancassem seus modelos amanhã, existe uma infinidade de modelos de pesos abertos (open-weight), com qualidade próxima à dos grandes, disponíveis gratuitamente na internet. É claro que rodar um desses modelos exige bastante memória e hardware, mas eles não são propriedade dos autoproclamados "donos do mundo".
O dilema
É realmente confuso. Deixe-me elaborar.
A IA não é a última invenção do homem — aquela que vai tomar consciência, nos substituir e nos destruir. Se algo assim acontecer, não será por causa da tecnologia em si, mas pela vontade consciente das pessoas que a controlam.
Por outro lado, a IA é uma grande ferramenta. Uma que vai nos levar a lugares aonde dificilmente chegaríamos sem ela.
Mas perceba: eu a chamei de ferramenta.
No começo do século, alguém poderia dizer que o Google substituiria definitivamente as bibliotecas e que elas definhariam até desaparecer. Para minha surpresa, ao visitar a BECE (Biblioteca Pública Estadual do Ceará), encontrei uma enorme quantidade de jornais impressos. Conversando com a bibliotecária, descobri que o acervo tinha jornais desde o século XIX — e que apenas alguns dos mais recentes haviam sido digitalizados.
A verdade é que as tecnologias coexistem. Carroças circulam no mesmo mundo em que foguetes são lançados ao espaço. Um dia, a LLM será a nossa carroça — e uma nova ameaça de fim do mundo precisará ser inventada.
Então, a IA é para o meu negócio?
Só uma coisa afeta o seu negócio neste momento: usar IA hoje está extremamente barato, graças aos enormes subsídios que as empresas de IA recebem. Vale a pena testar agora, porque ela provavelmente nunca mais terá o preço de hoje. (Alô, Lucas Montano, do canal Lucas Montano!)
Teste a IA — desta vez sem medo e sem ansiedade —, deixando que ela mostre no que é realmente boa. Com prudência, eu insisto.
O que vem a seguir
Chega de teoria e de promessa de vendedor. Nos próximos dias, vou publicar uma série de provas de conceito (PoCs) mostrando, na prática, como adaptar a IA a diferentes tipos de negócio. Sem filtro, sem hype, focado no que funciona de verdade.
Me siga em @eliabebastos e acompanhe aqui no ghidorah.com.br — quero ouvir seu feedback sobre cada experimento.
E me conta: qual processo do seu negócio você acha que a IA não resolve?
Eliabe Bastos